Agrodestaque entrevista Marcelo Leandro Feitosa de Andrade

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Egresso é analista ambiental do ICMBio e chefia a Estação Ecológica da Serra das Araras, unidade de conservação localizada em Porto Estrela (MT)
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Trajetória acadêmica.Ingressei no curso de Bacharelado e Licenciatura em Ciências Biológicas da Esalq em 2003. No primeiro ano, comecei a fazer um estágio como bolsista Coseas/USP com bolsa reitoria, no Núcleo de Educação Jovens e Adultos da Prefeitura do Campus “Luiz de Queiroz” e, também, aos finais de semana, fui monitor de ensino de Ciências e Biologia no Programa da Secretaria do Estado da Educação de São Paulo, chamado Programa Escola da Juventude. Estas experiências me motivaram nos anos seguintes (2004/2005 e 2005/2006) a realizar iniciação científica na área de educação e ensino de Ciências e Biologia, no Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq.No início de 2007, tive a oportunidade de frequentar o Laboratório de Nutrição Mineral de Plantas do Cena/USP, sob responsabilidade do Professor Eurípedes Malavolta, durante a disciplina Nutrição Mineral de Plantas e, consequentemente, orientado pelo Professor Antônio Enedi Boaretto, desenvolvi minha monografia com nutrição mineral da espécie florestal nativa Croton urucurana Baill. (sangra d’água).Morei durante toda a graduação na Casa do Estudante Universitário (CEU) e fui frequentador assíduo da Associação Atlética Acadêmica "Luiz de Queiroz" A.A.A.L.Q.Nos anos de 2008 e 2009, fui aluno do Programa de Pós-Graduação em Ciências: Biologia na Agricultura e no Ambiente, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo (Cena/USP) e defendi a dissertação intitulada "Deficiência nutricional em três espécies florestais nativas brasileiras", orientado pelo Prof. Dr. Antonio Enedi Boaretto.Fale um pouco sobre suas atribuições.Entre as atribuições do Analista Ambiental, está o planejamento ambiental, organizacional e estratégico afetos à execução das políticas nacionais de meio ambiente formuladas no âmbito da União, em especial, as relacionadas à regulação, controle, fiscalização, licenciamento e auditoria ambiental. Além disso, monitoramento ambiental; gestão, proteção e controle da qualidade ambiental; ordenamento dos recursos florestais e pesqueiros; conservação dos ecossistemas e das espécies neles inseridas, incluindo seu manejo e proteção e estímulo e difusão de tecnologias, informação e educação ambientais.No meu caso específico, ingressei no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, autarquia federal ligada ao Ministério do Meio Ambiente (ICMBio/MMA) em agosto de 2009, quando passei no concurso público para trabalhar como analista ambiental no ICMBio/MMA, onde foi lotado inicialmente na Estação Ecológica de Taiamã, unidade de conservação localizada no Pantanal Mato-Grossense, no período de agosto de 2009 a setembro de 2012, exercendo atividades na área de fiscalização ambiental contra a pesca predatória e demais crimes ambientais, prevenção e combate aos incêndios florestais, educação ambiental em unidades de conservação e fui Secretário Executivo do Conselho Consultivo da Estação Ecológica de Taiamã.Atualmente sou chefe (desde 2013) da Estação Ecológica da Serra das Araras, Unidade de Conservação (UC) localizada em Porto Estrela (MT), onde exerço atividades de fiscalização ambiental, prevenção e combate aos incêndios florestais, análise de estudos de impacto ambiental de empreendimentos do entorno desta UC, licenciamento ambiental, educação ambiental em UC e sou presidente do Conselho Consultivo da Estação Ecológica da Serra das Araras. Fiz parte da equipe responsável pela elaboração do Plano de Manejo da Estação Ecológica da Serra das Araras.Além disso, sou instrutor de formação de brigada do ICMBio que realizam ações de prevenção e combate aos incêndios florestais em unidades de conservação federais por todo o país. Já formei brigadistas nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Roraima. Também já participei de operações de fiscalização em diversas unidades de conservação no país.Uma das minhas grandes paixões no trabalho no ICMBio é na área de manejo integrado e adaptativo do fogo, um trabalho pioneiro, onde além de planejamento, construção e manutenção de trilhas e aceiros, realizamos queimas prescritas em determinado tipo de vegetação (as dependentes de fogo, como várias fitofisionomias do bioma cerrado), em determinadas épocas do ano, sob condições de temperatura e umidade. Esta é uma prática muito importante de manejo da biodiversidade, que permite além de proteger a vegetação de incêndios severos, busca aumentar riqueza da biodiversidade.Quais os principais desafios desse setor?O principal desafio do setor de gestão ambiental pública é compatibilizar o cenário de desenvolvimento da agricultura e das infraestruturas, fundamental para o crescimento econômico do Brasil, garantindo a proteção de unidades de conservação com grande importância ecológica, socioambiental e econômica, propondo medidas e exercendo o poder de polícia administrativa, causando o menor impacto ambiental a estas UCs.Jamais deve-se ter posicionamento contrário ao desenvolvimento da agricultura e, por conseguinte, econômico do Brasil: o servidor público de um órgão ambiental deve garantir o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se a ele, junto com a coletividade, o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações, não deixando quaisquer viés ideológico interferir na sua atribuição profissional.Que tipo de profissional esse mercado espera?O profissional com ética, zelo pelo bem público e um imenso compromisso com o seu trabalho é o que órgãos públicos das esferas municipais, estaduais e federal necessitam.Além de uma formação acadêmica sólida, a flexibilidade a mudanças, disciplina, contínuo aprimoramento e atualização constante há, sem dúvida, a necessidade de uma boa condição física para atuar em campo, conhecimento da legislação ambiental, capacidade de gestão de conflitos e sempre estar atualizado com as inovações tecnológicas, em especial, as geotecnologias e sistemas de informações geográficas. Trabalhar em equipe com foco na gestão para resultados, elaborar planos, projetos, relatórios e documentos técnicos, estabelecer processos de facilitação e de comunicação (interna e externa) e construir parcerias com diferentes atores e setores são ações desenvolvidas pelo analista ambiental. Embora os estudantes da Esalq durante a graduação adquiram uma sólida formação, sobretudo a formação técnica das áreas de atuação profissional, a aquisição de conhecimento deve ser complementada também fora das disciplinas, como em estágios vivenciais e visitas técnicas, intercâmbios, projetos de extensão universitária, leitura literatura científicas atualizada, participação em congressos: isso dará a este profissional um grande diferencial na busca por espaço de trabalho no futuro.Na minha passagem pela Esalq, de 2003 a 2009, diria que 50% do aprendizado foi em sala de aula e 50% em vivência extra sala de aula que a Esalq me proporcionou (estágios, congressos, grupo de pesquisa e estudos, centro acadêmico, atlética, participação no Projeto Rondon, projetos de extensão, etc).Com relação a dicas profissionais que o mercado espera, que eu tenho notado, são na área de pesquisas e medidas que almejem o desenvolvimento de tecnologia de produzir em áreas degradadas, controle biológico de pragas e maior eficiência no uso do solo, são desafios enormes para o futuro biólogo que se forma com foco na área agrária. A regularização fundiária aliada a regularização ambiental de propriedades agrícolas é o grande gargalo especialmente nos estados do Norte e Centro-oeste, área que necessita de profissionais qualificados (Engenheiros Agrônomos e Florestais) para trabalhar. Texto: Letícia Santin | Estagiária de jornalismoRevisão: Caio Albuquerque06/03/2020